Ego – Eu e somente Eu

A jornada que começa e termina no mesmo lugar



O Ego se aproxima muito dessa expressão, porque o seu movimento na relação com o meio é de suprir e sanar aquilo que percebe estar em falta. Projeta o que precisa na relação com o meio e tenta encontrar, no exterior, o que necessita. Preocupado em resolver as suas carências, deficiências e vazios interiores, age egoisticamente sem perceber que está usando o outro apenas para completar, resolver e satisfazer a si mesmo. 

Quando ajuda e é amoroso, solidário e prestativo, é pensando em não criar o conflito porque não quer ser julgado e criticado para não se sentir rejeitado.

Camaleônico, molda-se as realidades dos outros e procura satisfazer as pessoas com a sua presença para ganhar reconhecimento.

Maternal e bonzinho, confere atenção esperando receber igualmente o mesmo.

Divertido e engraçado, mais parecendo uma alegoria para conseguir atenção, não se dá conta dos seus exageros. 

Gosta das conquistas para provar para si mesmo o seu valor e pode ficar tão obcecado no “ter para Ser” que a sua sensação de satisfação se torna passageira. Compulsivo, imediatamente já quer outra coisa para ter novamente essa mesma sensação falsa e temporária de plenitude.

Carente, vive para promover prazer para os outros, mas esquece de que precisa apreender a compartilhar alegrias, criar afinidades para conseguir ultrapassar a si mesmo e permitir estabelecer relação.

Solitário no seu claustro ou mundo paralelo, onde se sente falsamente seguro, sai fora de si mesmo apenas para realizar o que tem de fazer, seus deveres e obrigações para manter o seu domínio. 

Quando se sente ameaçado se torna reativo, autoritário ou se fecha nas suas armaduras de proteção. Dominador por medo, quer controlar a tudo e a todos pela sua própria insegurança, tornando-se centralizador.  Preso, fecha-se no reinado composto apenas por ele mesmo.

A Inflexibilidade típica de quem possui desequilíbrio no seu Ego é devido ao pânico de, ao ter que mudar, ficar inseguro e sem as referências que falsamente o protegem. 

O Ego quer e deseja porque não é, não tem e não conquistou ainda no Ser. Quando não consegue o que quer ou achava que iria obter, fica magoado, decepcionado e ressentido. 

Usa de artimanhas para conseguir o que deseja, podendo tentar fazer o outro se sentir culpado ou cobra todos os favores que proporcionou, demonstrando ter feito tudo apenas pelo seu interesse. Nada foi gratuito e incondicional. 

Faz chantagens emocionais e faz-se de vítima para que, pela pena, consiga reverter e adquirir o que deseja. Gosta da conquista e fica com raiva quando não consegue, manifesta ódio quando cai na realidade de que, de fato, não vai conseguir obter para se empoderar-se.

Quando está com saudades de alguém ou de algo, é sempre do que lhe proporcionava. Significando nunca ter amado o que transcende o próprio interesse. Estabelece relação apenas consigo mesmo e, parcialmente, com o outro por estar à procura de resolver apenas a si mesmo. Porque absorve do meio para suprir a si mesmo. Nele tudo começa e, apenas nele, tudo termina.

O Ego, quando depende, faz de conta que não precisa, fica indiferente achando que neutralizou, mas apenas anulou e não resolveu a situação. Ou seja, não aprendeu a ir para além de si mesmo.

O importante é ter consciência de existirem inúmeras variações do Ego, que faz parte da pessoa e essa força deve apenas ser educada, controlada e até domesticada para não ser um animal que age em defesa de si mesmo e do seu território. 

O Ego tem a tendência de levar tudo para o lado pessoal, avalia as situações como contra ou a favor dele. De acordo com a sua interpretação pode entrar em atitude de defesa e perder o controle. Cadê o poder que adora mostrar que tem?

Quando percebe alguma vulnerabilidade, pode querer tirar vantagem da situação para favorecimento próprio. Nasce o ato corrupto do Ego.

Ele impressiona pela sua falta de noção do efeito das suas ações, dado que avalia sempre a partir da sua perspectiva. Constrói a sua presença por meio da necessidade de sentir-se melhor do que os outros e é adepto do poder para se sentir superior. Porém, quando se sente ameaçado de cair do seu pedestal, nenhuma humildade parece compor o seu discurso. Antes, pelo contrário, seus adornos e ostentações o fazem se perder nos falsos brilhos da vaidade, ofuscando a sua verdadeira e real luz interior. 

Como uma criança mal resolvida, o Ego pode agir à revelia; rebelde sem ter causa, é do contra para firmar a sua diferença na tentativa de suprir a rejeição sofrida. Esconde perturbações e situações mal resolvidas. Não gosta de admitir suas falhas.

O seu movimento é sempre esse de querer que venha de fora para dentro, fecha-se na sua própria origem, por isso tem medo da entrega, porque pode se magoar. Tem medo de amar para não sofrer e tenta arriscar porque pode perder. Os seus muitos medos não o deixam desbravar os seus próprios limites que não o permitem expandir nas relações com o outro e ainda reclama disso. 

O ser humano desde a infância vai construindo a sua identidade real a partir daquilo que atribuiu como verdade, porém, em simultâneo, cria outro ser irreal chamado de falso self ou, mais precisamente, o Alter Ego.

O grande vilão responsável por todos os processos terríveis que o bloqueiam e impedem a evolução da humanidade é o chamado Ego. Entretanto, é preciso esclarecer como ele funciona, para se estar atento a esse grande causador do mal de todos os tempos, que eu considero ser o isolamento e a solidão.

A persona, que está diretamente conectada ao Ego, pode assumir faces sociais de acordo com o que deseja projetar. Como se fossem máscaras, dissimula a sua verdadeira natureza e, ao longo da vida, muitas podem ser criadas, usadas e combinadas entre si e podem aparecer a qualquer momento ou conforme a situação. Esses desdobramentos da personalidade, ocasionados pelos processos que cada um vive, assumem diferentes maneiras de expressar e atuar. 

Essas facetas da personalidade são montagens criadas com o intuito de estabelecer melhor relação com o meio. O problema pode estar, justamente, na perda da referência do Self, porque essas máscaras não representam o indivíduo na sua totalidade, podendo passar uma ideia em conflito com a sua própria essência. Como uma propaganda enganosa, esse falso ser pode constituir-se de grande perigo, principalmente se a pessoa não possui as suas habilidades de percepção da sua personalidade, autoestima e valorização pessoal afinada com a sua individualidade e em equilíbrio com o meio. Como consequência, a pessoa pode perder-se dentro de si mesma, prisioneira das suas máscaras, fica com dificuldades em assumir quem verdadeiramente é.

O caos interior se instala quando a pessoa se perde entre a persona, máscaras e o seu Ego, identidade formada a partir do que se identifica e que ele acha que caracteriza o seu real Ser. 

O Ego, na interpretação filosófica, significa o “Eu” singular e individual, a referência que cada pessoa possui como características da personalidade, formada através daquilo que se identifica. É a personificação de interesses, desejos e vontades que são as afinidades particulares de cada indivíduo.

Ausência do Ego não significa não ter mais um Eu (self) funcional, significa que não está mais, exclusivamente, identificado com a sua individualidade e às voltas de si mesmo.

O Ego, quando sonante com os princípios que o transcende, deixa de atuar como um juiz que se cobra em ser perfeito e castiga a si mesmo. Deixa de querer suprir todos os seus desejos e de competir consigo mesmo. Ama e aceita. Manifesta autoestima, valorização pessoal, liberdade, autocontrole, domínio, poder e autoridade. 

Os valores do Ego negativo, ao modificarem-se pelo despertar da compaixão, compreensão e respeito, fazem suas ações favoráveis a união e a integração. O conflito deixa de existir por estar alinhado com os princípios morais e éticos. A integridade começa a valer mais que a esperteza.

O servir, sem o desejo de recompensa, passa a ser a inspiração. A satisfação, por ser fonte de solidariedade, amor e serviço à humanidade, torna-se sua tônica, cuja missão e propósito é ser útil.

Quando o Ego atinge este estágio, superou o seu próprio eu, passou a SER.


Carlos Florêncio

Filósofo e Terapeuta

Carlos Florêncio é filósofo e terapeuta, mentor de Potencial Humano. Como analista comportamental, especialista em relacionamentos e resolução de conflitos, é referência no tratamento do inconsciente e em mecanismos de autossabotagem. É o criador dos métodos PHVida® – Potencial Humano de Vida – e SEE®- Sistema de Equilíbrio Energético. Escritor, é autor da teoria e do movimento presentes no seu livro Tudo Certo! É formado em Filosofia (Brasil) e Psicossíntese (Londres), e fundou o Instituto e a Editora PHVida®. Instagram: carlosflorenciooficial carlos@carlosflorencio.com.br www.carlosflorencio.com whatsapp: +5511983199848




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