Entre o bem e o mal

Sua bagagem está pronta para ser arrumada, pense bem no que irá incluir dentro dela novamente



O dia era 17 de março de 2020, terça-feira (foi o dia que eu parei): decretada a quarentena, o isolamento social, o “fique em casa”!

Ainda sem saber direito o que estava acontecendo, todos nós tivemos que parar, nos adaptar a esse novo momento. Em meio ao medo, dúvidas, incertezas, angústias, conflitos existenciais, paramos! Concordando ou não, paramos!

E hoje após cinco meses, o que podemos contar sobre esse isolamento?

Muitos foram os desafios que esse momento nos proporcionou. Muitas perdas mas também muitos ganhos, mensuráveis aprendizados.

Em tempos de tecnologias ágeis tivemos muito o que aprender. Usar a tecnologia foi desafio para uns e zona de conforto para outros.

Mas e quanto ao bem e o mal que este momento proporcionou? Como podemos pontuar o que nos favoreceu, nos engrandeceu, nos desenvolveu e o que nos causou conflito, dor, angústia.

O que de fato você está levando na bagagem da vida com essa experiência?

Entre o bem e o mal está a ponderação do que é necessário fazer, do que é oportuno fazer e o que é possível fazer.

Vamos falar do bem que tivemos?

De uma hora para outra fomos obrigados a rever muitos conceitos, questionar padrões, mudar a forma como vínhamos agindo em várias áreas da nossa vida.

Entre uma live e outra aprendemos a revisitar nossas relações pessoais: cônjuge, filhos, família, amigos, vizinhos, parentes distantes. Pense em todas as relações humanas que você possui, são muitas para enumerar aqui.

Aprendemos que precisamos tanto do outro como o outro precisa de nós. 

Idosos precisaram que filhos, amigos ou vizinhos fizessem para eles as compras no mercado. Crianças precisaram que seus pais os orientassem nas atividades escolares que agora eram on-line. Precisaram de monitoramento.

Os amigos que há muito tempo não víamos pudemos reencontrar num café virtual, num webinário ou numa chamada de vídeo.

Tivemos oportunidade de participar de inúmeros eventos virtuais, salas de capacitação, fizemos reuniões por plataformas e o trabalho trouxemos para casa no home office.

Na impossibilidade de sairmos o restaurante veio até a nossa casa pelo delivery assim como tantos outros serviços que nem imaginávamos: a farmácia, o petshop, lojas vieram até nosso lar.

Foi um tempo para colocar em dia as coisas de casa, arrumar o guarda-roupa que fica sempre para depois, pequenos consertos realizados, jardim podado. Eram novas habilidades sendo treinadas. 

Com os cuidados pessoais tivemos que dar um jeito: aprender a arrumar o cabelo que cresce desordenadamente, aparar as unhas, encarar alguns fios brancos.

Aquele livro que não havia terminado de ler, chegou o momento. E o livro que era uma promessa escrever? As primeiras páginas surgiram.

Cursos, novas formações, atualização profissional, novas abordagens, novos assuntos, boas conversas foram realizadas. 

As demandas surgiram de todo lado, ajustes foram feitos para dar conta de algo que era completamente novo. Aprendemos a viver com menos, muito menos. 

Alguns aplicativos (apps) foram fundamentais para facilitar nossas vidas, deixamos de ir a bancos e a tantos outros lugares que achávamos impossível não ir.

O nosso comportamento mudou! Em quase tudo. Não daria conta de relatar tudo aqui, então é só um resumo mesmo.

E qual foi o mal que tivemos?

Pois é, tudo na vida tem um lado positivo e um lado que eu gosto de chamar de aprendizado. Para muitas pessoas esse isolamento simplesmente revelou uma parte desconhecida. 

Seja nas habilidades, seja no caráter, seja nas relações tanto pessoais quanto profissionais algumas pessoas realmente nos surpreenderam.

Houveram perdas de todo tipo: de tempo, de dinheiro, de relações, de paciência. Perdemos pessoas. Houveram lutos e abandonos!

Muitas dores que estavam guardadas se revelaram, muitas perguntas puderam ser feitas e respondidas sobre a própria vida, trabalho, propósito.

Nesse momento, após cinco meses de isolamento só podemos chamar de “mal” o que não proporcionou reflexão, aprendizado, o que não se transformou, o que ficou apegado ao passado que não voltará. 

Quando fazemos um balanço até aqui, porque não sabemos quando tudo isso vai acabar, o que chama a atenção é o grande poder que habita em nós, seres humanos: somos adaptáveis!

Se soubermos encarar os fatos com resiliência e soubermos aprender para transformar, então esse será sempre o caminho do bem. 

O bem que promove cura, o bem que promove amor, que acolhe a dor e faz com que cada pessoa, dentro do seu espaço possa contribuir para a transformação do nosso planeta. 

A atitude de cada um de nós em prol do bem-estar do outro fará a diferença para que possamos continuar criando recursos para a manutenção do maior bem que existe: a VIDA!


Luci Tanaka

Psicóloga

Psicóloga, com Especialização em TCC – Terapia Cognitiva Comportamental, Pedagoga, Sócia da Empresa Luci Tanaka Treinamento e Consultoria Organizacional. Atua em atendimento clínico em psicoterapia e terapia financeira, ministra cursos e palestras na área de Empreendedorismo e outros temas para o desenvolvimento das pessoas e nas organizações. Facilitadora da Metodologia EMPRETEC, pelo Sebrae e Educadora Financeira.




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