O que são Heurísticas? As principais chaves para ganho ou perda do Investidor

Nesse artigo, vamos abordar as heurísticas, que são uma espécie de atalhos cognitivos que aprendemos para facilitar a tomada de decisões que seriam mais complexas.



Elas são mecanismos que usamos para fazer algumas escolhas de maneira mais rápida e, assim, economizar recursos mentais.
No entanto, essas decisões “encurtadas” costumam ter uma qualidade menor.

Segundo Kahneman, os mecanismos de simplificação, tendem a conduzir ao enviesamento e, consequentemente, o resultado costuma ser escolhas equivocadas e inconsistentes.

Heurística da Representatividade

A heurística da representatividade pode influenciar a percepção de um investidor sobre o potencial de um ativo. Isso porque, a representação de uma empresa para determinado investidor pode fazer com que ele se sinta mais à vontade e confiante para aplicar em seus papéis, sem ao menos fazer uma avaliação mais aprofundada dos seus fundamentos.

Ou seja, o investidor avalia de maneira positiva o potencial de uma determinada ação e, chega à conclusão de que vale a pena investir nela simplesmente em função de já ter formado uma opinião predefinida sobre a empresa. É isso que se chama de representatividade nas finanças comportamentais.

Heurística da Disponibilidade

No caso da heurística da disponibilidade, o investidor estima a probabilidade de determinado evento influenciado diretamente pela facilidade com que um exemplo vem à sua mente. Ou seja, os eventos que acontecem com mais frequência são relembrados mais facilmente que os demais, assim como os eventos mais prováveis também são mais lembrados que os improváveis.

Digamos que alguém pergunte se você mora em um bairro seguro. Na hora de responder, você se lembra de que leu no jornal que aconteceram assaltos recentemente na região. Automaticamente, sua resposta tende a ser que o bairro não é seguro, já que você se baseou unicamente naquela informação que lhe veio à mente no momento da pergunta.

No caso dos investimentos, esse tipo de comportamento pode levar à uma leitura equivocada de situações e, consequentemente, a uma decisão errônea na tomada de decisão.

Heurística da Ancoragem

Na heurística de ancoragem, a pessoa utiliza um valor de referência previamente exposto (a âncora) para tomar determinada decisão. Normalmente, são atitudes tomadas com incerteza – no momento de tomar alguma escolha, a resposta é ajustada com base em algum valor inicial disponível.

Em muitos casos, essa âncora pode ser uma informação totalmente irrelevante, mas que para o investidor é utilizada como um fator de influência para suas decisões. O investidor com esse tipo de comportamento tem dificuldade em modificar seu julgamento inicial para se adequar às novas informações recebidas.

Um dos principais motivos para isso, é que nossa mente tende a avaliar de forma ineficiente as magnitudes absolutas, precisando sempre de um ponto de referência para basear suas estimativas e julgamentos.

Também é comum a ancoragem se basear em valores. Por exemplo, um investidor que toma decisões financeiras por impulso, se exposto recentemente à informação de que a ação da companhia X custa R$ 50,00, tende a achar barata a ação da companhia Y, cotada a R$ 20,00, ainda que às duas empresas não tenham nenhuma correlação.

Para evitar o viés da Ancoragem, é recomendável que o investidor:

• Preste uma atenção especial aos valores tomados como referência, verificando se têm fundamento sólido ou se são arbitrários, utilizados simplesmente como âncoras;
• Questione suas premissas, certificando-se de que sejam realmente relevantes antes de tomar uma decisão e de que não sejam utilizadas apenas para suprir uma possível lacuna de informação;
• Evite tomar decisões financeiras por impulso e sem informações suficientes, uma vez que, na falta de base racional, sua mente irá apelar para o que estiver mais facilmente à sua disposição, porém nem sempre a seu favor.

Heurística do Afeto e o Efeito do Preço Zero

O Modelo do Preço Zero, sugere que o valor percebido de um bem aumenta desproporcionalmente quando seu preço é reduzido a zero. Além disso, o aumento de demanda resultante de uma redução de preço, não ocorre de forma linear: bens de baixo valor tendem a ser mais procurados do que os de alto valor, quando se oferece o mesmo desconto em reais.

Vários experimentos mostram que bens gratuitos possuem uma atratividade extra. Portanto uma redução no preço de R$ 0,01 para zero produz maior aumento de demanda do que um desconto de R$ 0,26 para R$ 0,25.

Uma das explicações mais aceitas para esse comportamento, é justamente a Heurística do Afeto, baseada na premissa de que a opção que não possui nenhuma desvantagem (sem custo) tenderia a provocar uma resposta afetiva mais positiva.

Léo Jaguaribe
Capitão do Exército
https://www.instagram.com/leojaguaribe/





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